Vocabulário Controlado em Etnobotânica

Doenças do ar

Doenças do ar

De acordo com o relato detalhado de alguns entrevistados, as quatro principais “formas” da “doença do ar” poderiam ser traduzidas para a medicina convencional da seguinte forma: a “preta” poderia ser o tétano; a “vermelha” poderia ser o sarampo, e a “verde” e a “amarela” poderiam ser a hepatite viral. Essas inferências são derivadas do fato de que a pele do paciente adquire a cor da doença e de outras manifestações clínicas. [português]

 

According to the detailed report from some respondents, the four main ‘forms’ of “doença do ar” could be translated to conventional medicine as follows: the ‘black’ could be tetanus; the ‘red’ could be measles, and the ‘green’ and the ‘yellow’ could be viral hepatitis. These inferences are derived from the fact that the patient's skin acquires the color of the disease and other clinical manifestations. [inglês]

 

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

Os curandeiros informaram que seu objetivo é “acalmar” o paciente. Isso reforça a sugestão de estudar essas plantas quanto à atividade antidepressiva ou ansiolítica. Usos semelhantes da S. guianensis foram observados entre os índios Yanomami (Milliken e Albert, 1996) e outras populações amazônicas (Prance, 1972). [português]

 

The healers informed that their aim is to “calm down” the patient. This reinforces the suggestion to study these plants for antidepressant or anxiolytic activity. Similar uses for S. guianensis were observed among the Yanomami Indians (Milliken and Albert, 1996) and other Amazonian populations (Prance, 1972). [inglês]

 

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

O "ramo de ar", "ar de estupor" é como designam paralisias diversas. "Ar no rosto" por causa do golpe de ar, é a perda parcial de movimentos dos músculos faciais. Às vêzes, ao "beber água no sol e não na sombra, a pessoa está sujeita a tomar um golpe de ar". Para curá-lo só benzedura. O remédio específico é reza.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

CBSs (Culture-Bound Syndromes) pode ser traduzido para o português como "Síndromes ligadas à cultura".

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

As “doenças do ar” provavelmente não são CBSs* conforme conceituadas pelo DSM VI. Elas parecem ser um idioma cultural para uma miscelânea de distúrbios predominantes na região amazônica, como diarreia bacteriana, hepatite, febre amarela, malária, lepra e infecções bacterianas ou fúngicas. [português]

 

The “doenças do ar” are probably not CBSs as conceptualized by DSM VI. These seem to be a Cultural Idiom for a miscellany of disorders prevalent at the Amazonian area such as bacterial diarrhoea, hepatitis, yellow fever, malaria, leprosy and bacterial or fungal infections. [inglês]

 

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

 

*CBSs - Conferir nota do catalogador.

 

Para se ter uma ideia da complexidade dessas fórmulas, descrevemos uma fumigação que era usada no passado para o tratamento de “doenças do ar”. Os seguintes recursos (partes) devem ser colocados em uma panela com carvão: boi (chifre), veado (chifre), porco-espinho (espinha), beija-flor (ninho), onça (dente) e a planta Protium heptaphyllum (resina). A criança deve ser passada sobre essa defumação, realizando 3 movimentos cruzados, 3 vezes ao dia, até que os sintomas da criança melhorem. Para o tratamento da “doença do ar”, as principais plantas utilizadas são semelhantes às utilizadas para o “espante”: S. guianensis, M. alliacea e L. martinicensis, além de Petiveria alliacea. [português]

 

To gain a sense of the complexity of these formulas, we describe a fumigation that was used in the past for the treatment of "doenças do ar". The following resources (parts) should be placed in a pot with charcoal: ox (horn), deer (horn), porcupine (spine), hummingbird (nest), jaguar (tooth) and the plant Protium heptaphyllum (resin). The child should be passed over this smoking by performing 3 crossmovements, 3 times a day, until the child's symptoms improve. For the treatment of “doença do ar”, the main plants used are similar to those utilized for “espante”: S. guianensis, M. alliacea, and L. martinicensis along with Petiveria alliacea. [inglês]

 

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

Em nossos estudos anteriores, observamos que as comunidades quilombolas (descendentes de escravos fugidos que vivem em esconderijos no interior do país) usam a Petiveria alliacea por seus efeitos de alteração da mente (Rodrigues e Carlini, 2004). Além disso, algumas publicações fornecem evidências a favor da P. alliacea como uma fonte potencial para o tratamento de ansiedade, depressão, dor, epilepsia e problemas de memória (De Lima et al., 1991; Gomes et al., 2005; Gomes, 2008; Luz et al., 2016). [português]

 

In our previous studies, we observed that “quilombola” communities (descendants from runaway slaves living in hideouts upcountry) use Petiveria alliacea for its mind-altering effects (Rodrigues and Carlini, 2004). Also, some publications provide evidence in favor of P. alliacea as a potential source for treatment of anxiety, depression, pain, epilepsy and memory impairments (De Lima et al., 1991; Gomes et al., 2005; Gomes, 2008; Luz et al., 2016). [inglês]

 

PAGANI, E.; SANTOS, J. F. L.; RODRIGUES, E. Culture-Bound Syndromes of a Brazilian Amazon Riverine population: Tentative correspondence between traditional and conventional medicine terms and possible ethnopharmacological implications. Journal of Ethnopharmacology, v. 203, n. 1, p. 80–89, 5 maio 2017.

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