Vocabulário Controlado em Etnobotânica

Toré

Toré

Quando afirmamos que Toré é o mesmo Catimbó, Pajelança, fizemos porque, neste vasto Brasil, as denominações de uma dança, de uma cerimônia variam de região para região. Em Alagoas, na foz do rio São Francisco, em Piaçabuçu, Toré é o mesmo, o mesmíssimo Catimbó onde além das funções medicinais fitoterapêuticas são encontrados os elementos fundamentais dêste, herdadas do índio: a jurema e a defumação curativa.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

Uma das características do atual toré que se relaciona bem de perto com as crenças indígenas é o processo da manifestação dos "caboclos" no terreiro; são espíritos de vivos que estão em aldeias distantes.

No toré não invocam "espírito branco", isto é, espírito de pessoas que morreram.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

Basta ler os estudos de Oneyda Alvarenga, de Roger Bastide, Gonçalves Femandes, Luís da Câmara Cascudo ou Eduardo Galvão para que se veja a semelhança entre o Catimbó, Pajelança e o Toré que nós registramos.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

No toré não invocam "espírito branco", isto é, espírito de pessoas que morreram.

No toré descem só "caboclos" e também alguns "juremados". Juremado é o que está nos ares, quando ainda vivo bebeu jurema ou ao morrer estava sob uma juremeira.

O juremado tem que ter sangue índio. Branco ou negro que tenha tomado jurema não ficará juremado.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

Não é em si cerimônia religiosa, mas, graças ao sincretismo toré-candomblé há a tendência de tomar caráter sagrado.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

Algumas pessoas participantes do toré afirmam que a jurema tem valor aquela plantada em casa onde há "piana"*, e quando há necessidade de sua colheita no mato, quem a deve fazer é exclusivamente o presidente do toré.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

*Ver nota de escopo.

Atualmente, a reunião se faz no interior da casa. Num canto da sala há uma mesa coberta por um dossel onde predomina a côr vermelha e há enfeites de papel de sêda. Este conjunto, mesa e sobreceu, é chamado "piana".

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

O toré é de origem ameríndia, onde as pessoas buscam remédios para suas doenças, procuram conselhos com os caboclos que "baixam". O mestre defuma, receita, aconselha.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

No Toré faz-se a procura do nome da moléstia e adivinhação mágica. Além da defumação usam ervas e dentre elas se destaca a jurema em cujos poderes mágicos os sertanejos acreditam piamente. É, portanto, medicina mágica cujo oficial e executor é o presidente do toré, também chamado "mestre" do toré.

ARAÚJO, A. M. Medicina Rústica. 1a ed. São Paulo: Editora Nacional, 1961. Disponível em: http://brasilianadigital.com.br/obras/medicina-rustica.

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Data de criação
14-Nov-2024
Termo aceito
14-Nov-2024
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0
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ark:/99152/t38n0xwllqwp96
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Notas
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